Palavras Empoeiradas de 2004

Certo.

Estou com uma pilha gigantesca de trabalho a ser feito e, infelizmente, não tive tempo para sentar e escrever nos últimos dias.
Como qualquer um, tenho contas a pagar.

Mas, para não deixar o 2h37AM abandonado enquanto eu termino as minhas longas obrigações, aqui vai um texto que eu escrevi aos 15 anos de idade, mais exatamente em dezembro de 2004. É tudo muito simples e muito tosco, mas é exatamente o que eu estou sentindo neste momento recheado de desejos de feliz Ano Novo e promessas para a próxima volta em torno do Sol.

Ano Novo = Acre = Filhote de pomba
E o sol nasce outra vez e você continua o mesmo.
Não, você não criou super-poderes nem vai deixar de sentir dor.
Você vai chorar muito ainda.
E falar muita merda.
Vai ficar com raiva quando te derem faca de passar manteiga para cortar o bife.
Vai comer o brigadeiro do fundo da panela.
Vai cair na piscina e passar frio.
Vai ser acordado por mosquitos e passar alguns minutos tentando matá-los, e, depois de perder o sono, vai desistir.
Louco da vida, vai se jogar na cama e pensar em como uns bichos tão pequenos conseguem fazer um gigante como você ficar com vontade de arrancar a própria orelha.
E no outro dia vai acordar todo picado.

Vai dizer coisas por impulso.
Vai se arrepender.
Vai escorregar na frente de todo mundo.
Vai ficar feliz quando começar a tocar aquela música foda no rádio.
Vai sonhar.
Vai ter pesadelos.

E a verdade é que todos os dias são iguais aos outros.

Todos eles têm os mesmos segundos.
Começam laranjas e meio frios, e depois ficam claros, tão claros que começam a desbotar e a ficar laranja de novo.

Sempre foi assim.
Sempre vai ser.

Todos os dias, desde que existe mundo, as ondas quebram na areia e as árvores balançam com o vento.
Tudo igual.
Sempre.

Nas manhãs de Páscoa, nas noites de Natal, na virada do ano, do século, do milênio.
Tudo igual.
No seu aniversário e no meu.
No exato momento em que nós estivermos morrendo.
Tudo, curiosamente, será igual ao que sempre foi.

Por isso que o Ano Novo = Acre = filhote de pomba.
É só uma grande invenção.

Ontem era exatamente igual a hoje, que é exatamente igual a amanhã.
E o ciclo segue. 

Quem faz os dias serem diferentes somos nós mesmos.
A mágica toda que as pessoas tanto procuram nessas “datas milagrosas” está em nossas mãos.
Ela sempre esteve em nossas mãos.

E você não precisava ter esperado uma semana pra chegar o Ano Novo e prometer a si mesmo que sua vida ia melhorar.
Você só perdeu uma semana de uma vida melhor, trouxa.

Então faça agora, porque é sempre primeiro de janeiro!

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