Rainha de Espadas

Foi o gosto amargo de gasolina e areia que a acordou. A mistura improvável brilhava dolorida debaixo do sol do Novo México, onde o vento seca a alma e sela os olhos. Tentou levantar, mas caiu antes que pudesse lembrar seu nome. Yucca, sussurrou com lábios de sangue e whiskey, espalhando seu encanto por todo o deserto. Desesperada, cavou em busca de qualquer memória que a explicasse como foi parar ali. Um grande vazio. Olhou em volta, e, com os olhos ainda semicerrados, reconheceu sua motocicleta largada na beira da estrada. Mais nada. Voltou os olhos para si. Uma bala escondida em sua perna direita e um saco de dinheiro escapando pela bota. É, desta vez não foi tão grave, pensou, enquanto contava seu tesouro. Ignorou a dor e conseguiu andar alguns metros. Ligou o motor, limpou o canto da boca e soltou os cabelos. Mais um dia no inferno. Hora de caçar.

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